Se a minha mãe soubesse as vezes que eu a uso como referência quando escrevo, pedia-me comissão!
Ora a minha hora predilecta para reflectir sobre qualquer coisa é 1) no banho e 2) enquanto cozinho. Esta surgiu-me durante o número 2. Isto porque fui hoje cortar o cabelo (coisa que detesto) e a senhora disse que eu não cuido nada bem do meu cabelo, que não percebo nada disto, que nem o cabelo sei secar! Eu arregalei os olhos e fiquei a pensar enquanto ela me cortava o cabelo, o que é que afinal eu percebo de ser mulher... de ser assim, bom... feminina! A conclusão foi péssima, senhores e senhoras... simplesmente péssima!
E vocês ao fim de lerem estas escassas linhas indagam-se e indagam-me "então oh caramela, então e que é a tua mãe tem a ver com isso?" ... a resposta é um tanto previsível... TUDO!
Todas as meninas adoptam um modelo feminino, acentuam-no a gosto, modificam algumas coisas, mas no fundo todas as meninas têm a sua querida mãe como modelo feminino (para o bem e para o mal!).
Ora eu sempre me perguntei donde vinha aquela apetência toda de algumas das minhas amigas para se embonecarem, e se cuidarem da ponta dos cabelos à ponta dos pés. A resposta parece-me simples... as suas mães cuidavam-se dos pés à cabeça. Isso incentiva a que as filhotas façam o mesmo. Mas calma!!! Nem todas, estou apenas a generalizar. Todas elas tinham 3 mil cremes, cada um com a sua função e perdiam horas e horas nos seus tratamentos de beleza. Sempre achei piada a isso, mas nunca foi muito a minha onda.
Agora que cresci mais um bocadinho, comecei a perceber o quanto andei a negligenciar o meu potencial feminino. E é aqui que entra a minha mãe!
Ora a minha mãe sempre teve uma pele assim para o perfeita, logo nunca usou a parafernália de cremes que eu sempre vi todas as mães usarem, nunca foi de pintar as unhas (só em dias especiais e sempre com cores neutras), nunca foi de se maquilhar (só a vejo usar essas coisas em casamentos ou festas mais formais), nunca foi de ir ao cabeleireiro (é capaz de cortar o cabelo de ano a ano), nunca foi de saltos altos (deem àquela mulher umas sapatilhas confortáveis ou uns chinelos e é vê-la toda contente!), nunca foi de acessórios (só aqueles que eu lhe oferecia e era só para eu não ficar triste), nunca foi de roupa de menina (vive de calças de ganga e túnicas o ano inteiro), e a lista continua por aí fora!
Ora expliquem-me lá como é que eu posso ser uma pessoa feminina???
Eu bem que comprava cremes mas fartava-me do ritual do cremezito ao fim de uma ou duas semanas, nunca tive um verniz e ainda hoje não sou grande coisa a arranjar as unhas, não possuo maquilhagem, vou ao cabeleireiro de ano a ano (e depois claro que levo com a dica do "ai menina que horror de cabelo, todo espigado!), deem-me umas all star ou umas havaianas e têm o meu amor incondicional, acessórios é coisa que a mim nunca me assistiu, e roupa de menina era ver-me fugir dela, esqueçam lá ver a menina de saias ou calçoes ou blusinhas fofinhas... um mito urbano!
Agora, lá começo a ser mais menina, mas pouco, ainda estou na fase dos baby steps! Em parte porque também já vai sendo hora (estou farta de ser confundida com gaiatas de 18 anos, tendo quase mais 6 anos que elas), realçar o que tenho de bom (que ainda não sei bem o que é)... no fundo, o meu vestuário deveria crescer comigo, e andou estagnado imenso tempo, e sei lá, até não desgosto de ser um pouco mais feminina... de vez em quando, não sempre!
E, pronto, embora eu não queira admitir, há uma parte de mim que também quer ser bonita para o babe, não só para mim (mas que conste que ser bonita para mim mesma é mais importante!). Eu sei que ele gosta de mim como sou e bláblá e tudo e tudo, mas em parte foi ele que me fez ver que não há mal nenhum em arranjar-me (desde que não seja tipo árvore de natal) e realçar a minha beleza e coiso e tal. Se bem que ele diz que ando muito vaidosa (babe, a despertar monsters dentro de mim desde 2011).
Assim em jeito de conclusão para os sobreviventes que chegaram ao fim deste post:
Agora é ver a menina com calcinhas justas e sabrinas e sandálias e sapatos altos, com duas ou três malas na sua posse, um conjunto de pulseiras catitas, uma parafernália de coisas para hidratar da cabeça aos pés (desde o não-sei-quantos-que-faz-bem-ao-cabelo, até um conjunto jeitoso de cremes e perfumes), um único verniz (por agora é suficiente, que o jeitinho para as pintar é pouco!) e essas coisas todas que eu chamo "coisas de menina". A mãe vai ser sempre um modelo de inspiração, que eu apanhei e moldei e adicionei particulas minhas!
PS - o que a minha mãe não tem em "coisas de menina", tem de sobra em inteligência. Deem-lhe livros e ela fica contente, e eu sou tirada a papel químico <3
Gostei muito, belo texto! Não sei bem o que se passou comigo, a minha mãe é toda pipi e sempre quis que eu fosse... o meu mal é a preguiça mas isto com o tempo vai lá, vou continuar a curtir os meus merrell durante mais uns tempos!
ResponderEliminarBeijinhos babe*
hás-de lá chegar, eu também só agora é que comecei a despertar para isto. Foram quase 24 anos a negligenciar o lado feminino da coisa!
ResponderEliminarO teu problema não foi só a preguiça, a tua mãe pode ser pipi mas preferiste inconscientemente o teu irmão mais velho! ahah. Tu em vez de "coisas de menina", preferiste as coisas de menino e eu passei a vida rodeada de livros. É a nossa confort zone!
beso guapa **