Não me interesso por política. Nunca me interessei, e calculo que não me vá interessar nunca. Não do jeito que as coisas estão. Estou farta das palavras "chefe de estado", de "crise", de "recessão", de "impostos" e de todas as siglas fofas que actuam como eufemismo em relação à realidade de um país de rastos. Não gosto do Sócrates. A voz dele irrita-me, assim como as más notícias que, curiosamente, se arrastam atrás dele. (dele e não só, que isto não é de agora. Mas lá está, não me interesso por política, então não posso ser exacta nas minhas palavras nem nos meus insultos).
Resta-me apenas fazer figas para que não haja um colapso. Não daqueles quando batemos acidentalmente no carro da frente. Figas para que não vamos contra um muro de betão por não fazermos a curva na velocidade apropriada. Porque o muro é indestrutível quando comparado à nossa fragilidade.